Por Ana Emília Cardoso (nem bolas)
Há quatro anos atrás passei por uma experiência inusitada. Meu companheiro de alcova, que nunca sequer havia mencionado a palavra futebol no pouco mais de par de anos que estávamos juntos, se transformou no ‘homem-copa’. A saber, um ser que coleciona figurinhas, assiste a todos os jogos, torce por diversos times, não fala sobre outro assunto que não o onipresente evento desportivo, não escuta nem responde nada durante os jogos (ah, a tradicional audição seletiva masculina), enfim_ uma surpresa.
O casamento sobreviveu. E eu jurei aos quatro ventos que juntaria dinheiro para em 2010 viajar para um país distante onde ninguém jamais tivesse ouvido falar do Pelé e/ou dos Ronaldos, de preferência com uma amiga bem legal que gostasse (não gostasse nesse caso se aplica melhor) das mesmas coisas que eu. Virei a ampulheta e a escondi no fundo do armário, para que s grãozinhos de areia a cair não me lembrassem que o tempo passava e o próximo mundial estava a caminho.
O lance da viagem não rolou. No começo do ano cheguei a pensar em ir pra Curitiba, minha Passárgada, onde certamente encontraria meus pares; gente que não tá nem aí pra Copa e que - no máximo - se reúne nos jogos do Brasil para tomar muitas cervejas. Copa pra mim sempre foi isso. E tava de bom tamanho. A comemoração de 1994 e a da 2002 foram memoráveis. Naquela época se torcia para o Brasil e ponto. Hoje cada pessoa que eu conheço torce para umas 10 seleções diferentes e não se empolga muito com a seleção canarinho (essa eu desenterrei do fundo do baú).
Por fim acabei ficando por aqui mesmo. Há um mês o clima da Copa me perturbava, mas agora que os jogos começaram, percebo que superestimei a importância do evento em minha vida. Na real, nos últimos dias asisti a fragmentos de diversos jogos. Hoje fomos a um churrasco bem legal, cuja mote eram os jogos, mas ninguém estava muito aí para o Maradona, Messi ou quem quer que fosse.
Mesmo para uma pessoa que não gosta de futebol, admito que é emocionante o clima das torcidas e eventualmente os comentaristas falam alguma coisa aproveitável. As vuvuzelas têm deixado os jogos com barulho de caixa de abelha, o que me remete a uma expressão inglesa - doghouse - que é um lugar subterrâneo e tedioso embaixo de uma casa de cachorro que os homens vão quando se comportam mal. - Quer ver o jogo hoje, é? Não vai fazer o que tínhamos combinado? Então, ok, fique com essa barulheira aí!
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