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sábado, 12 de junho de 2010

Nem aí pra Copa

Por Ana Emília Cardoso (nem bolas)

Há quatro anos atrás passei por uma experiência inusitada. Meu companheiro de alcova, que nunca sequer havia mencionado a palavra futebol no pouco mais de par de anos que estávamos juntos, se transformou no ‘homem-copa’. A saber, um ser que coleciona figurinhas, assiste a todos os jogos, torce por diversos times, não fala sobre outro assunto que não o onipresente evento desportivo, não escuta nem responde nada durante os jogos (ah, a tradicional audição seletiva masculina), enfim_ uma surpresa.

O casamento sobreviveu
. E eu jurei aos quatro ventos que juntaria dinheiro para em 2010 viajar para um país distante onde ninguém jamais tivesse ouvido falar do Pelé e/ou dos Ronaldos, de preferência com uma amiga bem legal que gostasse (não gostasse nesse caso se aplica melhor) das mesmas coisas que eu. Virei a ampulheta e a escondi no fundo do armário, para que s grãozinhos de areia a cair não me lembrassem que o tempo passava e o próximo mundial estava a caminho.

O lance da viagem não rolou. No começo do ano cheguei a pensar em ir pra Curitiba, minha Passárgada, onde certamente encontraria meus pares; gente que não tá nem aí pra Copa e que - no máximo - se reúne nos jogos do Brasil para tomar muitas cervejas. Copa pra mim sempre foi isso. E tava de bom tamanho. A comemoração de 1994 e a da 2002 foram memoráveis. Naquela época se torcia para o Brasil e ponto. Hoje cada pessoa que eu conheço torce para umas 10 seleções diferentes e não se empolga muito com a seleção canarinho (essa eu desenterrei do fundo do baú).

Por fim acabei ficando por aqui mesmo. Há um mês o clima da Copa me perturbava, mas agora que os jogos começaram, percebo que superestimei a importância do evento em minha vida. Na real, nos últimos dias asisti a fragmentos de diversos jogos. Hoje fomos a um churrasco bem legal, cuja mote eram os jogos, mas ninguém estava muito aí para o Maradona, Messi ou quem quer que fosse.

Mesmo para uma pessoa que não gosta de futebol, admito que é emocionante o clima das torcidas e eventualmente os comentaristas falam alguma coisa aproveitável. As vuvuzelas têm deixado os jogos com barulho de caixa de abelha, o que me remete a uma expressão inglesa - doghouse - que é um lugar subterrâneo e tedioso embaixo de uma casa de cachorro que os homens vão quando se comportam mal. - Quer ver o jogo hoje, é? Não vai fazer o que tínhamos combinado? Então, ok, fique com essa barulheira aí!

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